terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

SEM PRECONCEITO, RUA 13 DE MAIO EM OLINDA REUNI GALERA GLS NO CARNAVAL DE OLINDA

Na semana passada, as prévias carnavalescas de Olinda foram marcadas por um incidente considerado por muitos como um caso de homofobia. O baiano Magno da Costa Paim, 21 anos, e o paraense Hector Zapata, 22, afirmam que foram agredidos porque estavam se beijando na frente do Mercado da Ribeira. O caso causou surpresa nos foliões LGBT que sempre se encontram na Rua 13 de Maio, conhecido como o point gay da folia olindense. Afinal, um dos principais elogios de quem brinca por lá é justamente a liberdade que eles têm para se expressar.



"Foi impactante para nós isso acontecer justamente nessa época do ano, em que sabemos que muitos brasileiros deixam de lado o preconceito", observa Lucas Teófilo, ator cearense. Essa é a primeira vez que ele vem a Olinda e adorou. "Estou me sentindo muito à vontade, inclusive aproveitei para protestar sobre o caso no domingo: me vesti de policial", diverte-se. Veterano de Olinda há cinco carnavais, o ator cearense Fábio Vieira relata ações de combate à homofobia em seu estado, através do teatro. "Não queremos nenhum privilégio perante a sociedade. Desejamos apenas que todos sejam tratados como iguais", destacou.

Muita gente bonita circula pela Rua 13 de Maio, no Sítio Histórico de Olinda. 

A rua mais colorida do Sítio Histórico fez parte do percurso do bloco "Toda Forma de Amor", que saiu pela primeira vez. O bloco prega o amor para todos, reunindo não apenas o público GLS, mas de qualquer preferência sexual. "Além do bloco, nosso grupo também realiza ações solidárias como arrecadação de alimentos e doação de sangue", explica uma das fundadoras, Camila Moura. "Acima de qualquer causa, defendemos o amor pelo amor", completa.

Como não poderia deixar de ser, as fantasias caprichadas dominaram na Rua 13 de Maio. O jornalista paraibano Jô Oliveira incorporou Beatrix Kiddo, a "noiva" do filme Kill Bill, de Quentin Tarantino. "Eu sempre quis sair com essa fantasia, até que consegui fazer ano passado. É o segundo ano que venho com ela. Fiz o sangue com tinta de tecido", revela. O toque de magia foi dado ao bloco pelo auxiliar administrativo Jean Sibellius, que desfilou como fadinha. O olindense frequenta a Rua 13 de Maio há dez anos. "Gosto de vir aqui porque é divertido, seguro e todos brincam em paz, sem homofobia", explicou.

Além do clima de paquera e fantasias inusitadas, casais GLS se sentem mais à vontade para namorar durante a folia olindense quando estão na "Treze", apelido que deram à rua. É o caso das namoradas aracajuanas Fabíola Barreto e Camila Ramos. "Eu vim aqui ano passado e sabia que tinham muitos gays. Como estamos em maioria, o povo que passa não fica olhando muito, e nos sentimos mais confortáveis", explica Camila.

Matéria baseada em G1/PE

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